Subitamente, reencontro-me na linha de partida, onde o coração acelera, o tempo suspende, e a alma, inquieta, prepara-se para mais um renascimento disfarçado de maratona.
E ouço, dentro e fora de mim:
PARTIDA!
Aqui vamos nós outra vez… como se costuma dizer:
Mais uma moedinha, mais uma voltinha!
Pergunto-me, meio em riso, meio em silêncio:
Estou preparada para o que o Universo me reserva?
Sem dúvida.
Afinal de contas, agora estou nos trinta, a idade em que o julgamento alheio começa a perder força, e a experiência, mesmo invisível, começa a ser reconhecida como real.
Como assim, Ana? - perguntam vocês.
Talvez pareça estranho, mas permitam-me contar-vos um segredo que vive em mim desde a infância…
Comecei bem cedo nesta jornada espiritual e holística. Tinha apenas oito anos quando estudava chakras, enquanto as minhas colegas se entretinham a brincar às bonecas. Eu interessava-me mais pelo sistema energético humano do que pelo mundo de plástico.
Na minha vida, sempre fui precoce. Era como se já tivesse nascido ensinada.
Hoje sei que esse saber instintivo provém de outras vidas e não só na Terra.
Lembro-me de memórias de outros planetas, de sabedorias estelares que ainda hoje ecoam nas minhas células.
Com apenas vinte anos, já trabalhava intensamente como terapeuta, sobretudo como Mestre de Reiki.
E, sentia…
Sentia profundamente os olhares desconfiados, os sussurros mentais que me rodeavam como sombras:
“Tão nova e já é Mestre de Reiki?”
“Deve ter tirado um curso à pressão…”
“O que ela sabe sobre a vida?”
“Terá sido boa ideia escolher alguém tão novo como terapeuta?”
Sabem como conquistei e continuo a conquistar as pessoas?
Com conhecimento, presença, verdade e dedicação.
Mais cedo ou mais tarde, a sabedoria revela-se.
E com ela, nasce a confiança.
Por isso, celebro este marco dos 30 anos com alegria genuína.
Hoje, os olhares já não me medem pela idade, mas pela energia.
Já não julgam, admiram!
Sempre ouvi dizer:
A idade é um posto.
E agora entendo essa frase com o coração.
Aprecio o processo de envelhecimento, pois ele traz consigo uma lente nova sobre o Mundo.
Com o tempo, vamos renascendo múltiplas vezes dentro da mesma vida.
Eus antigos morrem, para que novas versões de nós possam nascer.
Essa é a lei da evolução.
Ultimamente, tenho mergulhado em reflexões profundas sobre o meu percurso.
Olho para trás… e quase não me reconheço.
Estou em pleno processo de decifrar vidas passadas, algumas na Terra, outras espalhadas por diferentes pontos do Cosmos.
Muitos insights chegaram, como fragmentos de um puzzle cósmico que agora começa a encaixar.
É um momento de reencontro com o EU, um alinhamento sagrado antes da revelação do meu novo projeto.
Estamos quase a meio do ano de 2025, e até agora tem sido uma travessia entre encerramentos de ciclos e o despontar de novas aventuras.
Por isso digo:
Estou no início de mais uma maratona.
Um capítulo encerrou-se para dar lugar ao inédito.
E tu, que me lês, não tenhas medo de abraçar o novo.
Mas, para isso, é preciso largar o velho.
Soltar o passado para abrir espaço ao milagre do porvir.
Neste instante, sinto-me sob a vibração da Carta do Louco, aquele que avança sem certezas, mas com fé.
E também me sinto na frequência da Carta do Mago, porque numerologicamente 2025 é o meu ano pessoal 1 — o número dos inícios, da criação consciente e da semente lançada ao vento.
Meio ano já se foi.
Mas o que importa é que ainda vamos a meio da aventura.
O que terá o Destino reservado para mim?
Não sei.
Mas com os pés na Terra e os olhos no Céu, sigo curiosa, corajosa e pronta para dançar com o mistério.
Renascer aos Trinta
Não é idade, é rito.
É o tambor da alma que bate, aflito
por mais uma dança entre Mundos e mapas
que só o coração decifra.
Nasces outra vez, como quem já nasceu mil vezes,
com os pés na Terra e o olhar nas galáxias,
lembrando que a infância foi só o ensaio
de um papel antigo que volta a ser teu.
Enquanto outros brincavam de bonecas,
tu conversavas com os chakras,
como quem ouve segredos antigos
vindos do sopro de uma constelação esquecida.
Julgaram-te cedo.
Questionaram tua luz como quem teme o sol
por não entender a sua origem.
Mas tu, alquimista do invisível,
converteste dúvida em confiança,
e silêncio em voz sagrada.
Agora, aos trinta,
já não caminhas com receio
caminhas com memória.
Porque sabes que és feita de passados cósmicos
e futuros por desbravar.
És Louca, és Maga.
Pisas o abismo com flores nos pés
e uma bússola tatuada no peito.
Deixas o velho,
não por desdém, mas por gratidão,
sabendo que todo fim é também um altar
onde o novo acende a primeira vela.
Segue, filha das estrelas.
O teu destino é curvo, não linha reta.
E o Universo, esse velho amigo,
já sussurra:
PARTIDA!
Ana Oliveira